sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

algumas questões

Não há nem primeira palavra nem derradeira palavra. Os contextos do diálogo não têm limite. Estendem-se ao mais remoto passado e ao mais distante futuro. Até significados trazidos por diálogos provenientes do mais longínquo passado jamais hão de ser apreendidos de uma vez por todas, pois eles serão sempre renovados em diálogo ulterior... (BAKHTIN, 2006).



A definição de autoria é uma questão presente em estudos da Linguagem, da Filosofia, da Literatura, entre outras áreas e cada uma delas pode apresentar diferentes posicionamentos, dependendo da concepção de sujeito, texto e linguagem que assumem.

Pensar a autoria, por exemplo, de uma perspectiva linguístico-discursiva - que envolve a História e a Psicanálise -, implica levar em conta que os sujeitos não são fontes de seus dizeres, mas dialogam com outros dizeres (históricos) que emergem de modo consciente ou inconsciente.
De acordo com esta concepção, a linguagem e o texto (considerado não apenas como texto escrito na base alfabética)  só podem ser analisados sob o prisma do movimento, do uso, da dinâmica histórica de seu funcionamento.
O autor e o leitor, segundo esse ponto de vista, ressignificam sentidos a partir da relação que estabelecem com a obra - o que envolve seus conhecimentos de mundo, as condições de produção do texto (onde, quando, com quem, pra quem, pra quê), entre outros fatores.

Não há sentido no texto em si. Não há sentido fixo e pré-determinado a ser recuperado pelo leitor.
Nem o próprio autor, ao terminar de escrever, pode recuperar o sentido exato do momento em que escreveu. E o leitor não lerá o mesmo texto da mesma maneira que o autor ou outros leitores - o que pode ser ilustrado com a leitura de uma pintura, por exemplo. Uma mesma obra pode ser lida de diferentes pontos de vista por diferentes leitores.

Assim, ao revisar um texto, o leitor deve considerar os autores e obras em contextos particulares de produção e circulação da obra.

E mais do que adequar um texto a uma norma padrão da língua, esse esforço envolve, sobretudo, uma ressignificação da ideia de finitude ou completude de uma obra, pois ela será sempre um corpo vivo que se movimenta na relação com os leitores.