Não há nem primeira palavra nem derradeira palavra. Os contextos
do diálogo não têm limite. Estendem-se ao mais remoto passado e ao mais
distante futuro. Até significados trazidos por diálogos provenientes do mais
longínquo passado jamais hão de ser apreendidos de uma vez por todas, pois eles
serão sempre renovados em diálogo ulterior... (BAKHTIN, 2006).
A definição de autoria é uma questão
presente em estudos da Linguagem, da Filosofia, da Literatura, entre outras
áreas e cada uma delas pode apresentar diferentes posicionamentos, dependendo da
concepção de sujeito, texto e linguagem que assumem.
Pensar a autoria, por exemplo, de uma
perspectiva linguístico-discursiva - que envolve a História e a Psicanálise -,
implica levar em conta que os sujeitos não são fontes de seus dizeres, mas
dialogam com outros dizeres (históricos) que emergem de modo consciente ou
inconsciente.
De acordo com esta concepção, a linguagem
e o texto (considerado não apenas como texto escrito na base alfabética)
só podem ser analisados sob o prisma do movimento, do uso, da dinâmica
histórica de seu funcionamento.
O autor e o leitor, segundo esse ponto de
vista, ressignificam sentidos a partir da relação que estabelecem com a
obra - o que envolve seus conhecimentos de mundo, as condições de produção do
texto (onde, quando, com quem, pra quem, pra quê), entre outros fatores.
Não há sentido no texto em si. Não há
sentido fixo e pré-determinado a ser recuperado pelo leitor.
Nem o próprio autor, ao terminar de
escrever, pode recuperar o sentido exato do momento em que escreveu. E o leitor
não lerá o mesmo texto da mesma maneira que o autor ou outros leitores - o que
pode ser ilustrado com a leitura de uma pintura, por exemplo. Uma mesma obra
pode ser lida de diferentes pontos de vista por diferentes leitores.
Assim, ao revisar um texto, o leitor deve considerar
os autores e obras em contextos particulares de produção e circulação da obra.
E mais do que adequar um texto a uma norma
padrão da língua, esse esforço envolve, sobretudo, uma ressignificação da ideia
de finitude ou completude de uma obra, pois ela será sempre um corpo vivo que
se movimenta na relação com os leitores.